02/07/2019 às 15h30min - Atualizada em 02/07/2019 às 15h30min

Raízes da Seleção: as vitórias da vida de Casemiro

Meia precisou superar falta de dinheiro para escrever sua história no futebol

CBF
Raízes da Seleção: as vitórias da vida de Casemiro (Foto:Lucas Figueiredo/CBF)
Se olhar para trás, Casemiro talvez não acredite no quanto conquistou no futebol. Não foram poucos os momentos em que a vida lhe ofereceu sua face mais espinhosa e o convidou a desistir. Mas ele manteve sua fé. Com a mesma determinação com a qual marca os melhores jogadores do mundo, Casemiro marchou em busca de seu sonho. E construiu, de vitória em vitória, a chance de uma família.

Desde que se lembra, Casão foi o homem da família. Seus pais se separaram quando ele tinha apenas três anos. Crescendo ao lado da mãe, acompanhou as batalhas diárias (mesmo) de Dona Magda. Para sustentar os três filhos, ela trabalhava como diarista, mas o salário ainda era pouco. Casemiro sempre viu no futebol uma chance de retribuir todo esse esforço. E assim o fez.

- Me lembro do primeiro dinheiro que eu ganhei de verdade, foi a primeira casa que eu comprei, o meu maior sonho e que eu levo até hoje. Meu sonho era comprar uma casa para minha mãe, porque sempre moramos de aluguel e de favor. Com 15 anos, foi quando ganhei dinheiro de verdade, e realizei isso pela minha família - lembrou o meia da Seleção.

Nascido em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, Casemiro percorria mais de 100 quilômetros para ir até a capital todo dia. Mas as passagens eram caras e dona Magda, que cortava um dobrado para botar a comida na mesa da família, não tinha como pagar. Foi aí que entrou em sua vida um tipo de anjo da bola: o professor Moreira. Treinador de Casemiro durante a infância, decidi bancar as passagens de ida e volta do jovem para os treinos em Cotia. 

Esse foi apenas mais um capítulo da amizade entre Moreira e Casemiro. Quando ele era apenas uma criança, foi o técnico quem confiou no potencial dele, mesmo que pudesse sair no prejuízo.

- Me lembro que fui na primeira semana, aí na seguinte tinha que pagar a mensalidade. Como eu não tinha esse dinheiro, parei de ir. Era sete reais por mês e eu não tinha. O treinador viu meu potencial e decidiu me deixar continuar, disse que eu não precisava pagar, que ele iria bancar. Ele me ajudava muito, me emprestava chuteiras, roupas. Ele foi um dos caras do começo que sempre me ajudaram e me fortaleceram. Até hoje sou muito grato. 

Tudo passou a melhorar quando o meia se hospedou no alojamento do São Paulo. Logo nos primeiros meses, contraiu hepatite A e viu a continuidade no clube sob risco. Mas o Tricolor decidiu apostar nele. Com estrutura para desenvolver seu futebol, rapidamente se destacou e ganhou espaço. Não demorou para que começasse a figurar nas listas de convocações da base da Seleção Brasileira. Foi campeão sul-americano e mundial sub-20 em 2011.

Foi introduzido ao time profissional do São Paulo, mas passou por alguns momentos conturbados no clube. Todos sabiam do potencial que Casemiro demonstrava desde muito novo, mas a falta de sequência e a má fase do clube impediram que ele mostrasse o seu melhor futebol. Foi negociado com o time B do Real Madrid antes de se firmar no São Paulo. Mas o que poderia desmotivá-lo só o fez provar porque é tão diferente.

- O grande êxito da minha vida foi amadurecer tão cedo. Com 15 anos, eu já era o pai da família e sabia que minha família dependia de mim. Minha mãe trabalhava, era diarista, mas não ganhava quase nada, eu sabia onde eu tinha que chegar. Amadureci muito rápido, é uma das coisas que mais agradeço na minha vida e também agradeço o São Paulo por ter me feito homem. Quando eu fui para lá, eles me fizeram crescer como ser humano, acho que não só como jogador, mas como pessoa - destacou.

Depois de se aventurar no futebol português, Casemiro se consolidou no Real Madrid. Foi tricampeão da UEFA Champions League, virou titular absoluto da Seleção Brasileira, em que é um dos principais líderes. Mais do que a experiência que carrega do que viveu jogando bola, sabe que a vida lhe ensinou muita coisa. E traz isso para dentro de campo.

Basta ver um treinamento sequer de Casemiro para entender. Com ele, não tem atividade recreativa, não tem ritmo de treino. Sempre que entra em campo para jogar futebol, dá tudo de si. Entrega-se até a última gota de suor disponível. Não por opção, mas porque ele não conhece um jeito diferente. Afinal, para ele, o futebol só vale a pena com alma e coração. É assim dentro de campo e na vida. E sempre será.

- Sou bem focado no que vou fazer. Foi uma das coisas que aprendi na vida. Se for para fazer, faz com o coração. Se for dar uma entrevista, faça com o coração. É o que eu levo para mim. Fazer tudo com alma e coração. Não sei se é bom ou ruim, mas foi o que aprendi e tento mostrar isso dentro de campo, tanto no meu clube, quanto na Seleção Brasileira - concluiu.
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