14/02/2019 às 11h08min - Atualizada em 14/02/2019 às 11h08min

Pedalar até o trabalho é opção saudável e econômica

Todo dia, a professora Viviane Mendonça, de 40 anos, calça seu salto alto e pedala por quase quatro quilômetros até a escola pública onde trabalha, em Curitiba. Há seis anos, ela começou a usar a bicicleta não só para ir ao trabalho, mas para cumprir as atividades do seu dia a dia, como supermercado, farmácia, academia e salão de beleza.

Ascom Ministério do Esporte
Viviane pedala quatro quilômetros até a escola onde trabalha em Curitiba diariamente. (Foto: Arquivo pessoal)


Ao longo desses anos, Viviane perdeu 25 quilos, deixou de fumar e ganhou uma vida mais saudável. Sua história inspira milhares de pessoas tanto no seu bairro quanto no mundo virtual. Na escola, o uso da bicicleta como meio de transporte virou tema de estudo na sala de aula e resultou na construção de um bicicletário. Já na internet, Viviane criou o blog “Vou de bike e salto alto” para dividir experiências com outros ciclistas. Os perfis nas redes sociais reúnem mais de 75 mil pessoas.

“Foi libertador não depender de ônibus, táxi ou carona para ir ao trabalho. Vou lentamente para sentir o sabor de pedalar, o vento no rosto e observar o movimento e as pessoas na rua. Isso me faz muito bem”, conta Viviane, que leva a bike para todo lugar, inclusive viagens, e sequer possui carteira de motorista: “Depois que comecei a fazer tudo de bicicleta, cheguei à conclusão de que não precisava mais de carro mesmo”.

Viviane se encaixa nas estatísticas do estudo Perfil do Ciclista Brasileiro 2015, que indica que a maior parte dos cidadãos que utiliza bicicleta regularmente tem como principais destinos ir ao trabalho (88,1%) e fazer compras (59,2%). O estudo foi realizado pela ONG Transporte Ativo em parceria com o Laboratório de Mobilidade Sustentável do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com o Observatório das Metrópoles.

Entre os que começaram a usar a bicicleta como meio de transporte urbano, 42,9% apontaram rapidez e praticidade como motivação. O funcionário público Cláudio Ferreira (foto ao lado), de 43 anos, que pedala 30 quilômetros da sua casa, em Samambaia Sul, no Distrito Federal, até o escritório, na Asa Norte, leva meia hora a menos do que utilizando uma combinação de ônibus e metrô e economiza R$ 200 por mês.

“Vi que pedalar era mais rápido e prático do que usar o transporte público. Eu chego mais cedo ao escritório, pratico uma atividade física e não gasto com passagem ou combustível”, diz Ferreira, um dos fundadores do grupo Caça Pedal Mountain Bike, que promove pedaladas para crianças e adultos em Samambaia.

Para Zé Lobo, diretor da ONG Transporte Ativo, é possível perceber o aumento do número de pessoas que deixa o carro de lado para se deslocar a pé ou de bike. “Observamos que mais pessoas passaram a usar a bicicleta para deslocamentos curtos pela rapidez e praticidade. Em cidades grandes, às vezes, não há vagas para o carro. Fica mais prático ir pedalando ou caminhando”, explica Lobo. “A bicicleta é um transporte eficiente, ágil e não emite poluentes. Os custos de compra e manutenção são baixíssimos, e o combustível é zero”.

Contra o sedentarismo
 
Promover a atividade física regular é um desafio de grandes proporções no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2017, 62,1% dos brasileiros com 15 anos ou mais não praticaram qualquer esporte ou atividade física em 2015. Isso quer dizer que 100,5 milhões de pessoas, de um total de 161,8 milhões nessa faixa etária, não faziam qualquer tipo de atividade física.
 
Todos os anos, segundo informações da Organização Mundial de Saúde, mais de 3 milhões de pessoas no mundo morrem por doenças que poderiam ser prevenidas com a prática regular de atividade física. O sedentarismo é considerado o quarto mais importante fator de risco de morte no mundo.
 
Um outro estudo, esse realizado pela Secretaria Especial do Esporte, chegou a resultado similar. O Diagnóstico do Esporte (Diesporte) coletou informações sobre práticas esportivas e atividades físicas relativas a 2013. Ao todo, foram 8.902 entrevistas. O resultado apontou que 45,9% da população entre 14 e 75 anos era formada por sedentários. O estudo indicou, também, que as mulheres praticam menos atividades físicas que os homens.
 
Qualidade de vida

De acordo com a pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro, a preocupação com a saúde é o segundo motivo mais citado para usar a bicicleta como transporte urbano (24,2%) e para continuar pedalando (25,9%). De fato, andar de bicicleta com regularidade contribui para perda de peso, controle da pressão arterial e dos níveis de triglicérides, redução do estresse e aumento da autoestima e do bem estar.

Pedalar a caminho do trabalho diariamente pode ser ainda mais benéfico. Segundo um estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, ir ao trabalho de bike acarreta uma diminuição de 41% no risco de mortes prematuras e reduz em 45% as chances de desenvolver doenças cardíacas e câncer.

“Com a bike, vem também uma vida mais saudável. Uma coisa puxa a outra”, acredita Viviane, que deixou para trás o sedentarismo e o cigarro: “Fumar me atrapalhava a andar de bicicleta, me dava falta de ar. Tive que escolher. Saí de uma vida totalmente sedentária e descobri um mundo com uma vida melhor. A bicicleta me ajudou a me sentir bem comigo mesma, a me sentir mais bonita”.

No caso de Ferreira, pedalar diariamente chamou a atenção para os seus hábitos alimentares. “Aos poucos, percebi que minha alimentação não era adequada e mudei. Consegui emagrecer 14 quilos desde que comecei a trabalhar de bicicleta e ganhei mais resistência e força física para praticar mountain bike no fim de semana”.

Dicas para começar a pedalar até o trabalho

O diretor da ONG Transporte Ativo, Zé Lobo, dá algumas dicas para quem quer começar a utilizar a bike como meio de deslocamento urbano.

Conheça bem a sua bicicleta, verifique a necessidade de manutenção e o funcionamento dos freios.

Faça o percurso casa-trabalho em um domingo, dia em que o trânsito é mais tranquilo. Assim, é possível conhecer o trajeto com calma e checar pontos onde será preciso ter mais atenção e cuidado ao pedalar.

Busque parceiros de pedalada. Peça ajuda a outras pessoas que já utilizem a bicicleta como meio de transporte.

Conheça e siga as regras de trânsito. Pare no sinal vermelho como fazem os carros, por exemplo.

Equipamentos de segurança, como capacete e luvas, são recomendados para proteção e segurança do ciclista.

Evite pedalar em horários de sol forte.

Pedale devagar. Ao fazer menos esforço, a transpiração é menor.

Se preferir, leve uma muda de roupa para trocar quando chegar ao trabalho.

Distâncias entre três e oito quilômetros são as mais indicadas para o percurso, principalmente para quem está começando. Trajetos maiores podem ser feitos por meio de integração com o transporte público.

Malha cicloviária

São Paulo - 498,3 Km

Rio de Janeiro - 450 Km

Brasília - 428 Km

Fortaleza - 226,3 Km














Curitiba - 204,2 Km
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