30/11/2018 às 10h00min - Atualizada em 30/11/2018 às 10h00min

Com Lei de Incentivo ao Esporte, Instituto Reação busca a transformação social por meio do judô

Projeto beneficia cerca de mil e trezentos jovens em seis pólos no Rio de Janeiro: Rocinha, Cidade de Deus/Jacarepaguá, Cidade de Deus/Polo de Iniciação, Tubiacanga, Pequena Cruzada e Deodoro

Rede do Esporte

Com Lei de Incentivo ao Esporte, Instituto Reação busca a transformação social por meio do judô (Foto: Rafael Brais/rededoesporte.gov.br)

O quadro na parede no dojô do Instituto Reação da Rocinha, no Rio de Janeiro, é simbólico. Ali estão dispostos vários bonecos recortados pelos alunos e colados em uma parede que simula um caminho cujo destino final termina com a palavra "sonhos". A cada meta alcançada, seja fora ou dentro do esporte, o bonequinho avança até o ponto final.

Estimular sonhos é uma das atividades lúdicas promovidas pelo Instituto, que tem a intenção de trazer a prática de modalidades esportivas para promover o desenvolvimento humano de jovens de comunidades do Rio de Janeiro. Com recursos captados pela Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), os projetos "Reação Escola de Judô" e "Reação Olímpico" beneficiam cerca de mil e trezentos jovens em seis pólos: Rocinha, Cidade de Deus/Jacarepaguá, Cidade de Deus/Polo de Iniciação, Tubiacanga, Pequena Cruzada e Deodoro.

Criado pelo medalhista olímpico Flávio Canto, pelo técnico Geraldo Bernardes e por amigos em 2003, o Instituto Reação é uma organização não governamental que tem a proposta de utilizar o esporte como instrumento educacional e de transformação social. De acordo com a entidade, a missão é formar "faixas pretas dentro e fora do tatame".Um dos exemplos do sucesso da missão do Instituto Reação é a carioca Rafaela Silva. Nascida e criada na comunidade da Cidade de Deus, Rafaela encontrou, no judô, uma vocação que a transformou na maior atleta da história da modalidade no Brasil. Ela é a única judoca do país a ter conquistado a medalha de ouro tanto no Campeonato Mundial, no Rio de Janeiro, em 2013, quanto nos Jogos Olímpicos, no Rio 2016.

"Meu pai me colocou no esporte como alternativa para eu parar de ficar brigando na rua. No Judô, encontrei disciplina, passei a respeitar os outros e comecei a levar o esporte a sério. O judô me mostrou o mundo. Com os recursos que ganho, garanto meu sustento e ajudo a minha família a pagar as contas", diz Rafaela ao se referir ao Instituto Reação e à importância que o esporte teve em sua vida.

A gerente executiva do Instituto Reação, Leriana Figueiredo, explica que o programa de esporte da instituição possui complementação de atividades educacionais, promovendo o desenvolvimento social, comportamental e cognitivo.

"A ideia do Instituto não é trabalhar apenas a técnica da atividade esportiva em sua modalidade. É associar o binômio esporte-educação, trazendo atividades pedagógicas para o desenvolvimento de atividades para a vida, para desenvolvimento comportamental, social, para agregar às oficinas do esporte também o conteúdo de educação", detalha.

Sobre a Lei de Incentivo ao Esporte, Leriana destaca a importância dessa ferramenta para possibilitar que empresas apoiem projetos em suas várias manifestações esportivas. Para isso, diz ela, é preciso fortalecer os mecanismos de investimento, especialmente na área social. "É fundamental para a manutenção das atividades do Instituto o apoio financeiro que hoje chega para nós através das empresas que utilizam a Lei de Incentivo ao Esporte", frisa.

Para a gerente executiva do Instituto, é essencial reconhecer o esporte como um relevante caminho para o desenvolvimento humano. E isso passa por reconhecer a LIE como uma incentivadora de sonhos como aqueles na parede do dojô no núcleo da Rocinha. "A gente pode dizer que a Lei de Incentivo ao Esporte também incentiva sonhos, pois planta nas pessoas a esperança, a vontade de ajudar, a responsabilidade de como vamos usar o recurso material para transformar em recurso humano", afirma.

Esporte e família

Moradora da Rocinha, Marcela de Almeida Neves, auxiliar de escritório, leva duas vezes por semana a filha Francinny, de 8 anos, e o filho Rickelmy, de 6 anos, para o Instituto Reação. Francinny frequenta o projeto há três anos e Rickelmy, há dois. "Esse projeto é maravilhoso, principalmente pelo local onde a gente mora. Quando surge uma oportunidade como essa, a gente pega com garra", diz Marcela.

Para ela, os ensinamentos oferecidos durante as aulas são muito importantes e ajudam a melhorar o comportamento dos filhos. "Ajuda muita coisa: convívio, igualdade... O Riquelme não aceitava muito perder, mas hoje ele aprendeu no tatame que não é só ganhar", conta. "A Francine reforçou o aprendizado sobre a questão da cor", prossegue.

Marcela também salientou o esporte como forma de complementar os bons exemplos na criação dos filhos. "O esporte ajuda bastante. É um apoio para nossa família e para nós, pais".

Mudança na Lei

Tramita no Congresso Nacional uma proposta que altera a Lei de Incentivo ao Esporte, que prevê que o teto de investimento de pessoas jurídicas passe de 1% para 3% e o de pessoas físicas de 6% para 9%. Desde o início de sua vigência, a LIE já destinou R$ 2 bilhões para projetos esportivos. Em 2017, R$ 241 milhões foram captados pela LIE e mais de 1,5 milhão de pessoas foram beneficiadas diretamente.

Para Leriana Figueiredo, a aprovação da proposta de alteração da porcentagem da Lei de incentivo ao Esporte é muito importante para que mais crianças sejam atendidas. "É preciso que a legislação também se atualize visando ao fortalecimento desse segmento tão importante para o desenvolvimento da sociedade", encerra.

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