08/11/2018 às 21h00min - Atualizada em 08/11/2018 às 21h00min

Reajuste do STF não é derrota de Bolsonaro, mas há preocupação, diz Heleno

Os vencimentos dos ministros serão elevados dos atuais 33,7 mil reais por mês para 39,2 mil reais a partir de 2019.

Agência o Globo

Augusto Heleno, afirmou ue não considera uma derrota do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro a aprovação pelo Senado de uma proposta que aumenta o salário dos ministros do STF. (Reprodução/Facebook)

O futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general da reserva Augusto Heleno, afirmou  que não considera uma derrota do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro a aprovação pelo Senado de uma proposta que aumenta o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, mas destacou que há uma preocupação com o impacto da medida para os cofres públicos.

"Não é derrota, é preocupação. É preocupação até pelos gastos que foram anunciados, mas isso tem que ser bem estudado, não dá para fazer essa avaliação aqui, tem que avaliar principalmente o doutor Paulo Guedes (futuro ministro da Economia), avaliar qual é o impacto", disse Heleno ao chegar ao apartamento funcional de Bolsonaro, que ainda é deputado federal, em Brasília, para uma reunião com parlamentares.

O reajuste dos ministros do STF e da Procuradoria-Geral da República, aprovados pelo Senado, tem impacto bilionário para os cofres públicos, uma vez que gera um efeito cascata em toda a magistratura e Ministério Público da União e também porque aumenta o teto de quanto um servidor público pode ganhar no país.

Os vencimentos, reajustados em 16,38 por cento, serão elevados dos atuais 33,7 mil reais por mês para 39,2 mil reais a partir de 2019, já no governo Bolsonaro. Horas antes da aprovação da medida no Senado, o presidente eleito chegou a alertar que "não é o momento" para conceder aumentos salariais, apontando que o país atravessa grave crise fiscal.

Um dos auxiliares mais próximos de Bolsonaro, o general Heleno não quis opinar sobre a decisão do Senado. "Está fora do meu espectro, prefiro não me pronunciar, fica no nível presidente da República. O próprio presidente Temer parece que tem que sancionar", limitou-se a dizer.

Heleno foi questionado sobre se Bolsonaro terá de atuar como uma espécie de moderador em relação a Paulo Guedes, que chegou a defender dar uma "prensa" no Congresso para tentar aprovar a reforma da Previdência ainda em 2018. Posteriormente, o presidente eleito disse que Guedes deveria ter falado em "convencimento" e citou a inexperiência política do auxiliar.

"Eu acho que eles vão trabalhar juntos, têm um relacionamento muito bom, então são muito francos um com o outro, isso é muito importante. Acho que essa transparência, essa lealdade das pessoas, isso constrói muito. A pior coisa que tem é você ter uma equipe de governo em que um fica com preocupação do que vai falar para o outro. Acho que esse jogo aberto é muito importante", disse.

 

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