02/11/2018 às 09h00min - Atualizada em 02/11/2018 às 09h00min

Ministros do Brics reafirmam importância da cultura para economia

Brasil assume presidência rotativa do bloco em 2019

EBC

Ministros do Brics reafirmam importância da cultura para economia (Foto:Reprodução)

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou que qualquer projeto nacional de desenvolvimento econômico e social do século 21 deve incorporar a criatividade e a inovação. Presente no 3º Encontro de Ministros da Cultura dos Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, o ministro afirmou que a mudança de governo não afetará o nível de importância atribuído pelo Brasil ao bloco e lembrou que, em 2019, a presidência rotativa do bloco será do Brasil.

“Tenho o compromisso de apresentar à nova gestão uma proposta de planejamento de atividades culturais para o Brics para 2019, quando o Brasil assumirá a presidência rotativa do bloco, com destaque para o Festival de Cinema e Mercado das Indústrias Criativas, sem prejuízo de outras iniciativas que, tenho certeza, deverá propor o novo governo”, acrescentou Sá Leitão.

Durante a reunião, realizada em Maropeng, África do Sul, o ministro ponderou que, “quando se fala em criatividade e inovação, as atividades culturais se apresentam como uma potência econômica ainda reprimida e carente de melhor estruturação e apoio.”

Sá Leitão disse ainda que "as culturas devem estar próximas, em coexistência pacífica e interação permanente" e que espera afinação entre os países-membros do Brics, a fim de que o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – instituição bancária do bloco – mantenha seus segmentos culturais em constante movimento.

Plano de ação

Ao final do encontro, os representantes dos cinco países assinaram a Declaração de Maropeng, Berço da Humanidade, em que reafirmam o papel da cultura enquanto geradora de desenvolvimento econômico. Também através do documento, os ministros ratificaram o compromisso com o Plano de Ação para a Implementação do Acordo entre os Governos do Brics para Cooperação no Campo da Cultura (2017-2021), assinado em julho de 2017, na China.

Além de Sá Leitão, também compareceram ao encontro os ministros da cultura da Rússia, Vladimir Medinsky; da Índia, Mahesh Sharma; e da África do Sul, Nkosinathi Mthethwa. A China foi representada pelo vice-ministro de cultura e turismo, Xiang Zhanglun.

A Declaração de Maropeng menciona ainda medidas de proteção ao patrimônio cultural, fazendo menção específica ao tráfico ilícito de bens culturais. Quanto ao assunto, Sá Leitão compartilhou com os presentes que o governo brasileiro está estruturando uma política nacional que visa a combater esse tipo de transação.

Produção audiovisual

No encontro, o ministro brasileiro também reiterou a importância de os países do bloco selarem um Acordo de Coprodução Cinematográfica e Televisiva, complementando acordos bilaterais já oficializados com Índia, China e África do Sul. “Falta-nos apenas assinar o acordo com a Rússia, cujas negociações já se encontram em estágio bastante adiantado. Mas, para avançarmos como bloco, considero fundamental um tratado que coloque os cinco países debaixo do mesmo guarda-chuva, com as mesmas regras,” afirmou.

Sá Leitão lembrou também que o Festival de Cinema, considerado um dos produtos da vitrine do Brics, chega à quarta edição no ano que vem, e será sediado no Brasil. O evento deve ser realizado na cidade de Niterói (RJ).

Indústria criativa

Em sua argumentação em defesa da economia criativa do Brasil, o ministro destacou que o país representa, na América Latina, o maior mercado de TV paga, vídeo sob demanda, feiras e eventos de negócios, jogos eletrônicos e música. De acordo com o Ministério da Cultura, as projeções de crescimento anual desses segmentos no Brasil até 2021 são superiores à da média geral da economia.

No caso dos jogos eletrônicos, o crescimento estimado é de 16,9% ao ano; do vídeo sob demanda, de 8,8%; da música, de 8%; do cinema, de 6,9%; e do entretenimento ao vivo, de 4,9%. “Esses são números que apenas confirmam o alto impacto da economia criativa para a geração de emprego e renda, além de instrumento para inclusão social, formação profissional e educação e inclusão para nossos jovens”, afirmou Sá Leitão.

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