09/07/2018 às 20h00min - Atualizada em 09/07/2018 às 20h00min

Projeto Picolé para todos tem 100% de honestidade na Secretaria de Saúde

No momento, a iniciativa segue firme em várias escolas públicas, igrejas e órgãos públicos do Distrito Federal

SES/DF
Marcelo Lima (à esquerda) e Tiago Costa (à direita) colocaram a ideia em prática (Foto: Breno Esaki)

Um ato simples, como a compra de um picolé, pode simbolizar algo grande, como a valorização da honestidade. Esse é o objetivo do “Projeto Picolé para todos”, implementado em 105 locais do Distrito Federal, entre eles, a Secretaria de Saúde.

Ao disponibilizar um freezer com picolés, na sede da pasta, os servidores compraram e pagaram o gelado, depositando R$ 2 na urna. As aquisições ocorreram sem a assistência de um vendedor ou de vigilância por câmeras para controlar a entrada e saída de dinheiro e picolés. O troco fica acessível aos compradores em uma caixinha.

“Na Secretaria de Saúde, registramos 100% de honestidade já na primeira mensuração, sobrando até um troco de R$ 5. O projeto começou na semana passada e todo mundo aderiu à causa. A proposta é disseminar a cultura da honestidade”, explica um dos idealizadores do projeto e professor de ciências do Serviço Social da Indústria (SESI) do Distrito Federal, Thiago Costa.

No momento, a iniciativa segue firme em várias escolas públicas, igrejas e órgãos públicos do Distrito Federal. “No DF, mais de 150 mil pessoas participaram do projeto até agora. A taxa de honestidade aqui ficou em 88,1%”, informa Costa.

INSPIRAÇÃO – Segundo Marcelo Lima, outro mentor do projeto, a iniciativa nasceu de uma experiência semelhante colocada em prática na Inglaterra, onde as pessoas consumiam produtos em um mercado onde não havia câmeras ou vendedores.

“Isso nos inspirou a desenhar esse modelo de projeto com o picolé porque ele agrega, é alegria, e moramos em um país tropical, ainda mais Brasília, onde é seco e árido”, comenta Marcelo.

Ele ressalta que a Secretaria de Saúde tem demostrado que 100% das pessoas acreditam que se deve pagar um valor por um produto, mesmo que seja um preço irrisório para alguns.

“A corrupção vai até onde sua mão alcança. Por isso a caixinha com o dinheiro está tão acessível. O propósito é deixar a pessoa se incomodar com o fato de ser tão fácil ser corrupto. Questionar se vale a pena, porque se todos forem corruptos, o projeto acaba para todo mundo”, comenta.

Todo o valor arrecadado é utilizado na recompra de novos picolés. Sem dinheiro, o projeto acaba.

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