14/02/2018 às 11h30min - Atualizada em 14/02/2018 às 11h30min

EUA não planejam financiar reconstrução de Iraque após Estado Islâmico

Secretário de Estado americano não deve anunciar pacote financeiro em reunião no Kuwait, afirmam fontes

Agência O Globo

Secretário de Estado Americano Rex Tillerson cumprimenta o primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi, em 2017 - (Foto: Joshua Roberts / REUTERS)

Apesar de participarem na próxima semana de uma conferência sobre o financiamento da reconstrução do Iraque pós-Estado Islâmico, os Estados Unidos não pretendem anunciar ajuda financeira alguma, revelaram funcionários do governo americano. A medida pode abalar a representatividade do país internacionalmente, de acordo com críticos.

— Não estamos planejando anunciar nada — afirmou o funcionário na quinta-feira sobre a conferência no Kuwait, da qual o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, participará.

A fonte acrescentou, no entanto, que Tillerson ainda poderia mudar de ideia.

Washington está encorajando investimentos do setor privado e contando com os vizinhos do Iraque no Golfo, sobretudo a região sunita da Arábia Saudita, para oferecer dinheiro como forma de se reaproximarem de Bagdá e reduzirem a influência do Irã na região.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, disse que seu país precisa de US$ 100 bilhões para consertar sua infraestrutura e reconstruir cidades devastadas pelo conflito contra o Estado islâmico. A escassez de fundos poderia aumentar o perigo de revigorar as queixas entre os grupos minoritários sunitas iraquianos contra o governo liderado pelos xiitas.

Em resposta à falta de contribuição americana, um funcionário do Departamento de Estado lembrou os bilhões de dólares que os EUA se comprometeram a oferecer para financiar empréstimos e restaurar serviços básicos de cidades iraquianas logo após as batalhas.

— As necessidades de estabilização imediata permanecem enormes, e os EUA estão limitados. Os recursos governamentais por si só não podem satisfazer essas necessidades urgentes, e muito menos considerar apoiar a reconstrução de longo prazo.

INVESTIMENTO X FINANCIAMENTO

Em janeiro, os EUA disseram que planejavam oferecer US$ 150 milhões para operações de estabilização em 2018 — fundos que iriam restaurar serviços básicos e concessões para pequenas empresas. O governo também forneceu US$ 1,7 bilhão em assistência humanitária para o Iraque desde 2014, tornando-se o maior doador.

Mdhair Saleh, assessor econômico de Abadi, não confirma nem nega a falta de uma contribuição.

— A questão não é sobre assistência financeira direta. Eu acho que a política dos EUA é apoiar o investimento do setor privado no Iraque. Sobre a conferência do Kuwait por parte do governo, eu não ouvi nada — afirmou.

James Jeffrey, ex-embaixador americano no Iraque, disse que os Estados Unidos já haviam "enviado bilhões e bilhões de dólares" para a luta contra o Estado Islâmico e ajuda humanitária.

— Somente os Estados Unidos podem acalmar os nervos diplomáticos sobre reconstrução, assuntos militares e políticos para uma estratégia com a comunidade internacional. O fato de que não estamos com dinheiro enfraquecerá nosso caso, e isso é triste — disse Jeffrey.

Já Jeremy Konyndyk, ex-funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) afirma que os empresários querem ver os riscos de seus investimentos no Iraque atenuados pelas contribuições do governo americano.

— Se o governo dos EUA quiser o investimento do setor privado, ele precisa entrar no jogo — disse, acrescentando que uma contribuição também demonstraria o compromisso americano de reduzir a influência do Irã.

O Irã, ao estreitar seus laços com a maioria dos xiitas do Iraque, emergiu como o principal intermediário financeiro no país depois que os Estados Unidos retiraram suas tropas em 2011.

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