14/02/2018 às 06h00min - Atualizada em 14/02/2018 às 06h00min

Trump considera nova política para Jerusalém 'ponto alto' do seu governo

Reconhecimento de capital e mudança da embaixada colocam em risco esforços de paz

Agência O Globo

Presidente dos EUA, Donald Trump, em visita ao Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém (Foto: RONEN ZVULUN / AP)

Em entrevista ao jornal "Israel Hayom", o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel foi o ponto alto do seu primeiro ano de mandato. Contra os alertas da maior parte da comunidade internacional, o republicano, com a decisão, anunciou a decisão da transferência da embaixada americana de Tel Aviv à cidade sagrada. A mudança da posição de Washington irritou o mundo árabe, já que Jerusalém Oriental também é reivindicada pelos palestinos.

Quando perguntado sobre o acontecimento mais memorável da sua Presidência, Trump respondeu:

— Acho que Jerusalém foi um ponto muito importante. E acredito que foi um ponto muito importante. Fazer Jerusalém ser a sua grande capital era muito importante para muitas pessoas.

O presidente também disse que, após esta decisão, Israel e palestinos deverão "adotar compromissos significativos para alcançar um acordo de paz".

— Sobre as fronteiras específicas, apoiarei o que as duas partes concordarem — completou.

A decisão do presidente americano de transferir a embaixada foi denunciada pelos palestinos e muito criticada por grande parte da comunidade internacional. Desde então, a medida frustrou o sonho palestino de ver a cidade sagrada como capital de um futuro Estado e acirrou os ânimos na região. A medida coloca em perigo os esforços de paz no Oriente Médio e gerando desconfiança tanto no mundo árabe quanto nos aliados ocidentais.

Trump, cuja decisão sobre a transferência da embaixada cumpriu uma promessa de campanha, prometeu no entanto que será uma "bela embaixada, mas não uma que custa US$ 1,2 bilhão", referindo-se ao que diz ser o custo da nova embaixada dos EUA em Londres.

PREOCUPAÇÃO NA EUROPA

Em reação à exaltação de Trump ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, a União Europeia pediu aos EUA em janeiro que não avancem sozinhos em planos para negociar a paz local.

— Nada sem os EUA, nada com os EUA sozinhos — disse a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini.

Por sua vez, em visita a Israel do mês passado, o ministro do Exterior alemão, Sigmar Gabriel, expressou preocupação com o futuro do país, afirmando em uma conferência acadêmica que o apoio de Trump não necessariamente é a melhor opção para os interesses israelenses. A Alemanha é um dos aliados mais importantes do Estado judeu, e Gabriel destacou que se preocupa com o caminho adotado pelos israelenses nas negociações de paz.

— Como amigo de Israel, e como ministro do Exterior de um país com um compromisso especial com a segurança do país, eu sinceramente me preocupo com as opções de Israel em médio e longo prazo — afirmou ele em palestra do Instituto para Estudos de Segurança Nacional, em Tel Aviv. — Qual é exatamente a estratégia de Israel neste conflito? Alguns membros do Gabinete de Israel são explicitamente contra a solução de dois Estados. Esses, sendo otimista, sinais mistos não passam despercebidos na Europa, onde há clara frustração com as ações de Israel.

Gabriel ainda alertou Israel sobre os riscos de ter o apoio incondicional do governo Trump, que reconheceu Jerusalém como capital israelense e tem sido crítico quanto à liderança palestina.

— Os americanos estão tomando um lado mais claramente do que nunca, mas isso é de fato uma coisa boa? — questionou o ministro alemão.

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