17/08/2017 às 10h00min - Atualizada em 17/08/2017 às 10h00min

Após críticas, relator da reforma política desiste do doador oculto

Antes, Vicente Cândido admitiu reduzir valor de fundo para financiamento de campanhas

Agência O Globo

"Como estamos num Brasil de Lava-Jato, que clama por transparência, já que é assim, tem que abrir tudo", disse o relator da Reforma Política (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

No mesmo dia em que resolveu recuar de sua posição original sobre o fundo público eleitoral, admitindo que o valor é muito alto e se prontificando para mexer e reduzir o montante (estimado em R$ 3,6 bilhões), o relator da reforma política, deputado Vicente Cândido (PT-SP), decidiu retirar de seu texto a figura do doador oculto.

Cândido havia apresentado na sessão de terça-feira a previsão de que a pessoa que doar para uma campanha política poderia, caso desejasse, ter sua identidade mantida sob sigilo, só podendo ser acessada por órgãos de controle e pelo Ministério Público. Mas a proposta foi bombardeada por colegas, inclusive pelo presidente da comissão da reforma, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), e Cândido se deu por vencido.

— Pelas falas aqui, e pela fala até do presidente, dizendo ser contra, eu não tenho outro caminho, a não ser retirar. Como estamos num Brasil de Lava-Jato, que clama por transparência, já que é assim, tem que abrir tudo. A comissão aqui é soberana. Pelas falas aqui não tem sustentabilidade, estou retirando — disse Cândido durante debate da comissão.

Nesta quarta-feira, foram retomados os debates sobre formas de doação e distribuição do chamado fundão, o fundo eleitoral público aprovado pela comissão. No intervalo da sessão, Vieira Lima fez duras críticas ao doador oculto.

— Quem quer doação oculta é porque quer fazer coisa errada. E o pior é que isso mancha toda a reforma política. É burrice. Quero ver de quem foi essa ideia, porque até agora tá oculto — reclamou Vieira Lima.

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