20/04/2017 às 22h10min - Atualizada em 20/04/2017 às 22h10min

Delator diz que gostava de obra, e não de pagar propina

Engenheiro da Odebrecht contou que tinha vontade de tirar férias e sumir em época de eleição

Agência O Globo

Delator diz que gostava de obra, e não de pagar propina (Foto: Divulgação)

 

Ao menos um delator da Odebrecht demonstrou desconforto com o fato de ter que pagar propina. O engenheiro Leandro Andrade Azevedo, que trabalhava no Rio de Janeiro, disse que tinha vontade de tirar férias durante as eleições para não precisar tratar de pagamentos ilícitos. Segundo ele, seu prazer era tocar obras.

— Não era meu objetivo acompanhar caixa dois. Não tinha prazer de fazer isso. Não gostava disso. Imagina. Meu objetivo era fazer obra, era dar resultado, construir o Maracanã. Foi uma obra. O Parque Olímpico da cidade — contou Leandro.

Ele percebeu que suas declarações poderiam não ser levadas a sério pelos interrogadores.

— O senhor acreditando ou não, a minha vontade em todas as eleições era tirar férias e sumir. É extremamente desagradável você ter o objetivo de uma coisa e ter que cuidando de dinheiro, de mala, e-mail. Péssimo. Não era meu objetivo — acrescentou.

O desabafo de Leandro começou quando os interrogadores perguntaram se ele tinha algum registro de um pagamento ilícito. O delator disse que não guardava essas informações. Segundo ele, os documentos eram destruídos. Disse ainda que a delação da Odebrecht só foi possível graças à existência do sistema de informática Drousys, usado pela empresa para controlar o pagamento de propina.

— Foi descoberto esse sistema desse Drousys que nem eu sabia que existia. Se não fosse esse Drousys ia ser o caos a nossa colaboração. Não ia nem ter ideia de quanto pagou — explicou ele.

Leandro relatou pagamentos para vários políticos do Rio, entre eles o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e os ex-governadores Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR).

 

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