20/04/2017 às 16h25min - Atualizada em 20/04/2017 às 16h25min

Vice da Câmara se reúne com Temer e garante que relação não é de tapas e beijos

Fábio Ramalho (PMDB-MG) apresentou ao presidente pedidos da bancada de Minas

Agência O Globo

Vice da Câmara se reúne com Temer e garante que relação não é de tapas e beijos (Foto: Ananda Pimentel/Camara dos Deputados)

 

Aliado temperamental do governo, ora ameaçando rompimento, ora garantindo lealdade a Michel Temer, o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), fez uma visita ao presidente nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto. Mais uma vez, levou pedidos da bancada de Minas Gerais, como o aumento de repasse de dinheiro para pequenos produtores atingidos pela seca no estado e negou que tenham falado em criação de ministério para o PMDB mineiro.

Apesar disso, se irritou quando da nomeação do então deputado Osmar Serraglio, do PMDB do Paraná, para o Ministério da Justiça. Naquele momento, no início de março, chegou a protagonizar uma "DR" com o peemedebista, ao ameaçar romper de vez com o governo e carregar aliados com ele. Ouviu de Temer, pelo telefone, que ele deveria então "seguir o seu caminho". Num evento pouco depois da briga, porém, os dois acertaram os ponteiros. A paz foi selada com a promessa de saborearem a famosa leitoa preparada pelo staff da casa de Fabinho Liderança, como é conhecido nos corredores do Congresso.

— Fabinho, a gente não pode brigar. Vá almoçar comigo amanhã e leve a bancada do PMDB de Minas para a gente conversar — disse Temer na ocasião, dando um abraço no deputado.

Já amolecido, Fabinho disse a Temer que eles não iriam brigar, que era a "divergência na convergência".

— Vou levar uma leitoinha assada para o almoço e fazer um acerto de contas com Temer, fazer um acerto de dívidas.

A despeito da relação conturbada que nutre com o presidente, o deputado nega que viva a fazer pressão sobre o governo. Em sua visão, nada de "tapas e beijos" ou "porteiras fechadas".

— Não existe tapas e beijos, a gente tem uma relação de amizade. Minhas posições muitas vezes divergem das dele, mas nosso diálogo nunca vai estar com porteiras fechadas. Sou mineiro, estou sempre aberto ao diálogo. Tem independência, mas também tem diálogo — disse o vice-presidente da Câmara ao GLOBO.

Na reunião desta quarta, Temer mostrou disposição, segundo Fabinho, em acelerar a resolução dos pleitos de Minas e pediu ajuda para aprovar as reformas, sobretudo a da Previdência e a trabalhista. Sem firmar "nenhum compromisso", o parlamentar disse ao presidente que vai trabalhar pela aprovação da reforma trabalhista, mas afirmou ter dificuldades em juntar apoios para a Previdência. 

— Vamos conversando, não pode fechar as portas. Não teve nenhum compromisso da minha parte, mas ele pediu ajuda e acho que, na trabalhista, tem grandes chances de a gente fazer um trabalho.

JANTARES AJUDARAM A ELEGER TEMER

Companheiros de Câmara do tempo em que Temer era deputado, Fabinho costuma se gabar de ter ajudado o peemedebista a se eleger presidente da Câmara em 2008. Segundo ele, foi por causa dos jantares que fazia em homenagem ao presidente que Temer conseguiu articular sua eleição. O vice-presidente da Casa diz já ter feito dezenas de convescotes para o correligionário.

— Em 2008, o Michel Temer só ganhou a eleição da Câmara porque fiz uns 30 jantares aqui para ele. Era considerado metido e antipático. Eu lhe disse: se você seguir minha cartilha, você ganha do Aldo e do Ciro Nogueira. Se não fosse eu, ele não ganhava não — contou, ao ser eleito vice-presidente da Câmara, no início do ano.

Outra história repetida à exaustão por Fabinho é a de que Michel Temer é tão grato a ele que o levou em sua primeira viagem como presidente, para a China. Encheu a cozinha do boeing presidencial com quatro queijos de Minas, quatro goiabadas, farofa e a famosa leitoa a pururuca.

— Já começamos a comer já logo na saída. Viajei nesse boeing com Lula, Dilma e Temer. Lula reclamava que eu sujava o avião dele com farofa — afirmou.

Apesar da ajuda que deu a Temer, a recíproca não foi verdadeira nas últimas eleições. Num encontro entre os dois, Fabinho cobrou o presidente por não ter o apoiado no pleito em que desbancou candidatos graúdos. O mineiro foi eleito numa candidatura avulsa para o lugar do polêmico Waldir Maranhão (PP-MA), segundo da Câmara na gestão Eduardo Cunha.

— O senhor trabalhou contra mim que eu sei — disse o deputado a Temer, em fevereiro.

— Achei que sua candidatura era brincadeira — retrucou o presidente, arrancando risadas do deputado.

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